quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O discurso da noite

O Filipe já referiu o marcante discurso de Michelle Obama, ontem. A mulher de Barack Obama saiu-se muito bem e alcançou o objetivo a que se propunha: ter impacto.

Hoje, discursa um dos mais destacados Presidentes dos EUA de todos os tempos, pelo bem e pelo mal, e um dos melhores políticos contemporâneos, Bill Clinton.

Os discursos de Clinton costumam ser eletrizantes e são grandes momentos de política.

Se Clinton fizer o que se espera dele, no segundo dia da Convenção, e tendo o discurso de Michelle, do primeiro dia, Obama poderá fechar, amanhã, com chave de ouro, uma Convenção pensada para mobilizar o eleitorado Democrata e a classe média, o passaporte da sua renovação de mandato. Pelo primeiro dia, isso está a ser conseguido.

CMC

Convenção Democrata: O discurso de Michelle Obama



The most devastating attack on Mitt Romney at Tuesday’s Democratic Convention came from Michelle Obama, who did not mention Romney’s name and said not a single cross thing about him.

Mais uma vez se revela a importância dos discursos mais pessoais, a força das histórias de vida para fortalecer a narrativa política criada. Ontem tinha referido quais os desafios que Michelle Obama teria de enfrentar na Convenção democrata. Hoje podemos dizer que esteve magnífica. Uma verdadeira obra de arte de comunicação política. Exatamente aquilo que a campanha Obama necessitava desesperadamente, devido à sua queda nas sondagens.

Filipe Ferreira

terça-feira, 4 de setembro de 2012

O grande desafio Democrata


A grande imagem que fica da Convenção Republicana foi a intervenção de Clint Eastwood. Os Democratas souberam responder, com inteligência e humor (cartaz acima), à tirada cómica e bem construída, para o eleitor americano, do ator e realizador. Porém, nestes três dias de Convenção, os Democratas terão de fazer mais e demonstrar que têm as melhores propostas face aos Republicanos.

Não será tarefa fácil, mas facilidades, apesar de Obama ter tido muitas na última campanha, foi algo com que não contou no seu mandato.

Discursos a aguardar, o de Michelle Obama, Julián Castro, Bill Clinton e Barack Obama (Hillary Clinton, por estar em visita de Estado, não participará nesta Convenção).

CMC

Democratas apostam no Texas

Os Democratas estão a ser inteligentes, pois a aposta em Julián Castro, como keynote speaker, nesta Convenção, procura demonstrar a aposta que fazem no eleitorado latino-americano, bem como a investir no futuro.

Fazendo contas demográficas, a médio prazo, a população latino-americana será proeminente no Texas e tendo os Democratas um forte apoio deste eleitorado, Castro bem será um nome a ter em conta para Governador (Castro é Mayor de Santo António, Texas). Isto, se não fizer, como alguns procuram associar, o mesmo que Obama fez em 2004, quando, na Convenção de consagração de John Kerry, e projetou o seu nome, com os resultados conhecidos.

CMC   

Construir a narrativa certa


When Michelle Obama takes the stage at the Democratic National Convention on Tuesday night, she faces a similar task as Ann Romney of presenting her husband as a father and family man - above his public persona in the political spotlight.

Um dos momentos mais altos da Convenção Republicana de Tampa foi, sem dúvida, o discurso de Ann Romney. Ela fez um excelente trabalho ao mostrar uma faceta diferente do seu marido, um lado mais familiar e comprometido com a sua comunidade.
Michelle Obama não precisa de fazer essa apresentação, mas vai ser essencial para "amaciar" a desgastada imagem de Obama. Ela precisa de fazer lembrar aos eleitores indecisos porque é que eles gostaram de Obama em 2008.
E é assim que as narrativas se constroem...
 
Filipe Ferreira

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Convenção Democrata começa amanhã


Depois da Convenção Republicana, da semana passada, amanhã arranca a Convenção Democrata. Ao longo de três dias os Democratas terão de demonstrar a mais valia do mandato de Obama na Casa Branca e, na quinta, Obama tem a missão de apresentar as suas causas.

Julián Castro, Presidente da Câmara de Santo António, no Texas, será o keynote speaker desta Convenção.

A aposta no eleitorado latino continua, apesar de não haver nenhum latino americano em lugar de destaque, candidato a Presidente ou Vice-Presidente, a sua presença, em qualquer Convenção, é incontornável. Na semana passada os Republicanos apostaram forte, com Marc Rubio e Susana Martínez. Desta feita, é um autarca da vermelha (Republicana) Texas a ter destaque.

CMC

sábado, 1 de setembro de 2012

Romney dispara nas sondagens


 
Uma das grandes vulnerabilidades de Romney era a sua falta de carisma. Embora as diversas sondagens sugiram que os americanos confiem nas suas aptidões para gerir a economia, a nivel pessoal é de Obama que mais gostam. Esta sondagem, embora influenciada pelo ambiente pos-convenção, vem diminuir de forma substantiva o fosso entre os dois candidatos. A confirmarem-se estes números, vêm aí dias dificeis para Obama.
 
Filipe Ferreira

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O desafio Democrata


Tal como Mitt Romney, Obama tem pela frente o mesmo repto: cativar a classe média - quem decide esta eleição.

Romney lançou a meta: criar 12 milhões de postos de trabalho. A meta é elevada e aos Democratas cabe demonstrar que estão mais bem preparados e com melhores propostas para este momento.

CMC

Romney cavalga a onda populista

No discurso mais importante da Convenção Republicana, o de Mitt Romney, ficou patente o arriscar, compreensível, do candidato, de conquistar o eleitorado da classe média.

A grande proposta é de criar 12 milhões de empregos, ou seja, pouco mais de metade do atual número de desempregados nos EUA, 23 milhões.

Romney trata a dimensão política como se fosse um negócio. Percebe-se a sua veia de empresário, mas a sua experiência de Governador devia ter-lhe indicado que a realidade, e em especial a governação de um Estado, é bem mais complexa do que parece, sobretudo no contexto atual, de uma economia global anémica.

Os Republicanos procuraram, nos últimos dias, cativar o eleitorado descontente, e apostaram, como é típico, nos valores da família, para cativar milhares de casais nos EUA a mobilizarem-se para optar por outro caminho, que não o apresentado e implementado pelos Democratas.

Em termos externos, Romney repescou o discurso reaganista da Guerra Fria e focou Putin como o "alvo". Ora, o mundo mudou. A Rússia tem, como sempre teve e terá, uma importância global, mas entender o planeta, como Romney dá a entender, numa lógica bipolar, de Guerra Fria, é um desfasamento total. A Rússia não é o único player mundial a par dos EUA.

Intimamente ligada à política externa e com forte relação e impato na política doméstica é a política energética. Romney propõe-se a reduzir a dependência externa nos próximos oito anos. Tal como a proposta de Obama, há quatro anos, os políticos norte-americanos deviam ser mais rigorosos nesta matéria. O mais preocupante desta proposta de Romney é que o candidato Republicano valoriza fontes como o carvão. Infelizmente, há desafios globais, como o ambiental, que sempre foram desconsiderados pelos Republicanos, e não deviam. Romney falou nas energias renováveis, que fica sempre bem, mas não é de desconsiderar que a sua referência foi a última, e não uma prioridade. Preocupante!

CMC

Discurso de Clint Eastwood na Convenção Republicana



Política nos EUA também é showbizz.
Os democratas, e muito em particular Obama, são tradicionalmente os recetores de financiamento e apoio político da elite de Hollywood. Na Convenção Democrata espera-se uma verdadeira enchente de estrelas, apoiando Obama, mas nenhuma delas terá mais peso no coração da América do que Clint Eastwood. São muitos e muitos anos, enquanto ator e realizador. Clint Eastwood não é apenas o ator da moda ou o homem do momento. É uma instituição que nos trouxe alguns dos melhores frescos acerca do sonho americano, da sua grandeza e das suas desilusões.
Grande escolha para o último dia da Convenção.

Filipe Ferreira

Clint Eastwood vai discursar na Convenção Republicana

 
 
A confirmar-se esta informação, espera-se uma grande noite na convenção republicana em Tampa. Um apoio de peso e um nome altamente respeitado pelo povo americano.
 
Filipe Ferreira

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Os lemas da Convenção Republicana

Esta Convenção Republicana estruturou-se em três diferentes momentos, correspondentes a três distintos e complementares lemas.

No primeiro dia, o lema foi "We built it", valorizando a promoção da economia, desprezando a intervenção do Estado no mercado, diferenciando a postura face aos Democratas. Os ataques, mais ou menos serrados ao Obamacare fizeram-se sentir.

Ontem, "We can change it", foi, de todos os lemas, o mais feliz, em termos de marketing, por repescar e adaptar o lema de Obama de há quatro anos. Procurou evidenciar que os Republicanos têm uma agenda política diferente da de Obama e pretendem, deste modo, destacar que têm um programa capaz de animar mais a economia.
 
Hoje, no último dia, o lema "We believe in America", coincide com o discurso de encerramento do candidato, Mitt Romney, que terá de apresentar as causas da sua candidatura. Nesta entronização da "crença", o discurso terá, como não poderá deixar de ser numa intervenção de um Republicano, uma nota patriótica acentuada.

Devido ao furacão Isaac, não se realizou o primeiro dia da Convenção, que tinha como lema "We can do better".

Em termos de estrutura, só se pode destacar a inteligência da estratégia da Convenção. Quanto aos resultados, muito está dependente da intervenção de Romney. Será ele capaz de mobilizar o Partido Republicano, como não conseguiu até ao momento? Certo é que o seu Vice, Paul Ryan, já o conseguiu. E esse é um importante trunfo para Romney.

CMC

Condoleezza Rice: Uma estrela



Apesar do grande discurso de Paul Ryan, um verdadeiro attack dog contra Obama e os democratas, para mim o melhor momento da noite foi sem dúvida a intervenção de Condoleezza Rice. Uma lição sobre o papel dos EUA num mundo cada vez mais anárquico e uma forte crítica à falta de liderança de Obama. Um primor.

Filipe Ferreira

Os erros de Ryan

Paul Ryan fez, até ao momento, o maior ataque a Obama, mas pelos vistos saiu-lhe furado.

CMC

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Ann Romney: uma seta ao coração do eleitorado feminino



No primeiro dia de discursos pudemos assistir a excelentes intervenções. Destaco Rick Santorum que fez um tremendo elogio a Romney (quem diria?) e que foi eficaz a cativar os eleitores mais conservadores a nível social. Tirando Santorum, a maioria dos restantes oradores centrou-se na economia. O Carlos já aqui referiu a intervenção de Chris Christie, e para o meu gosto pessoal foi o melhor, mas julgo que para a estratégia do GOP o mais eficaz foi a de Ann Romney.  Direto e certeiro ao eleitorado feminino.

Filipe Ferreira

A melhor intervenção do primeiro dia


Sem dúvida, o Governador de New Jersey, Chris Christie, teve a melhor intervenção do primeiro dia da Convenção Republicana.

Artur Davis, o antigo elemento Democrata, teve um discurso exclusivamente em condenar os Democratas e Ann Romney apresentou um discurso fraco.

CMC

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Romney com vantagem no twitter

 
 
As redes sociais têm assumido um papel cada vez mais importante nas campanhas eleitorais, sendo que as presidenciais norte-americanas são o expoente máximo.
Das redes sociais, o Twitter não sendo a que tem mais seguidores, é sem dúvida uma das mais influentes. Neste levantamento feito aos utilizadores do Twitter nos estados eleitoralmente competitivos, Romney tem mais menções positivas que Obama: Este fato por si só não é muito relevante, mas marca uma posição de força numa área em que Obama era considerado imbativel.
Veremos se esta tendência se mantém.
 
Filipe Ferreira

Convenção Republicana: Family values



...e hoje começa, a sério, a convenção republicana. Após os problemas causados pelas condições climatéricas que levaram à suspensão do primeiro dia de trabalhos, o GOP regressa hoje em força. O keynote speaker de hoje é um dos republicanos mais mediáticos, o governador de New Jersey, Chris Christie. Embora este discurso esteja a ser altamente antecipado pela base republicana, julgo que o maior impato para o eleitor indeciso será o de Ann Romney. Ela terá a (dificil) missão de dar um rosto humano ao seu marido, muitas vezes considerado frio e insensivel para muitos americanos. Esperam-se muitas histórias de família e a visão de um Mitt Romney mais humano e próximo das famílias americanas.
Espera-se assim um primeiro dia virado para os "family values". A política, pura e dura, ficará para amanha...

Filipe Ferreira

O Michael Moore de direita


Nada melhor do que os EUA para encontrar bons criadores das teses da conspiração e da catástrofe. Dinesh D’Souza, antigo elemento do staff de Ronal Reagan, considera que Obama tem uma visão, herdada do seu pai, contra os grandes princípios da América e que, por isso, em 2016, fim do mandato de Obama, caso seja reeleito, os EUA estarão numa situação calamitosa - como quem diz, não elejam Obama para não decretar o fim da América.

2016 é um documentário pejado de preconceitos e indiferente às alterações que se processam no mundo. D'Souza, infelizmente, não quis notar que foi o mandato de Obama que conciliou os EUA com o mundo, ao contrário dos anos anteriores, que debilitaram e enfraqueceram a posição dos EUA no mundo. E D'Souza, originário da Índia, devia ter uma visão mais clara do que se passa no mundo, a começar na sua terra Natal.

CMC

Convenções nos campos decisivos

Democratas e Republicanos sabem que esta eleição não está ganha por ninguém e, por isso, os swing States são os grandes campos de batalha onde se decidirão quem ganhará em novembro.

Por essa razão, ambos realizam as suas Convenções em campos/Estados decisivos. Os Republicanos arrancam, hoje, na Flórida e os Democratas realizam o seu conclave, na próxima semana, na Carolina do Norte.

Quanto aos Estados a ter em conta até ao fim, são: Ohio, Flórida, Iowa, Virgínia, New Hampshire, Nevada, Colorado, Wisconsin e Carolina do Norte.

CMC