quarta-feira, 23 de maio de 2012

Florida dá vantagem a Mitt Romney... por enquanto



Um dos swing states tradicionalmente mais importantes, a Florida, depois de ter dado uma margem de 7 pontos favoraveis a Obama em Março, mudou o registo e confere agora uma pequena margem de avanço para Mitt Romney. Estes 6 pontos são uma notícia muito favorável para Romney, mas este não deve embandeirar em arco. Estas oscilações comprovam que o eleitorado da Florida ainda não terá decidido o seu sentido de voto e que será o decorrer da campanha que irá fazer pender para um dos lados. Sem dúvida, a Florida será uma das campanhas a acompanhar com atenção.

Filipe Ferreira

terça-feira, 22 de maio de 2012

Show me the money!



Neste grande jogo que é a política norte-americana, quase tudo está dependente do dinheiro que os candidatos e respectivas máquinas eleitorais conseguem angariar. Em 2008, Barack Obama "esmagou" por completo John McCain neste campeonato, asfixiando a candidatura republicana, já de si a lutar num contexto de grave crise económica e financeira.
Nestas eleições era esperado que Obama voltasse a partir com grande avanço, e as inumeras noticias acerca da campanha dos mil milhões de dólares mais não fizeram do que sedimentar essa percepção. A realidade tem provado que essa percepção pode não ser de todo real.
A emergância da nova legislação que permite os Super PAC's veio alterar o contexto e embora Obama recolha muito mais dinheiro do que Romney, os Super PAC's republicanos estão no terreno e vão equilibrar o combate. Embora seja expectável que Obama tenha mais dinheiro do que Romney, a assimetria de 2008 não vai voltar a acontecer.

Filipe Ferreira

domingo, 13 de maio de 2012

Game on



Foi assim que Romney foi apresentado por Mark DeMoss na Liberty University, um bastião evagélico.
A tomada de posição de Obama sobre o casamento gay ajudou, mais do que qualquer endorsement, a união das diversas sensibilidades do partido republicano, em especial dos conservadores sociais. O discurso de Romney nesta universidade era o verdadeiro teste acerca da adesão do eleitorado evangélico à sua plataforma e aparentemente todas as dúvidas foram ultrapassadas. Atacou de frente a diferença de religião - para muitos o seu mormonismo continuava a ser um problema político- e num momento de alguma forma semelhante ao que Obama protagonizou em 2008 sobre as questões da raça nos EUA, clarificou quais os seus valores e de que forma estes influenciariam a sua futura presidência.
Com esta clarificação, tanto de Obama como de Romney, os dados estão lançados e os americanos têm duas alternativas perfeitamente claras. E ambas as clarificações têm leituras de ganhos e perdas políticas. Obama "limitou-se" a ver as sondagens que davam 51% da população dos EUA como favoráveis ao casamento gay e com isso ganhou ainda um grande aumento nos donativos financeiros desta comunidade. Corre porém o risco de colocar em causa as corridas dos democratas moderados em estados politicamente mais à direita, dando de mão beijada lugares no Congresso e ao mesmo tempo pode ter alienado algum eleitorado mais centrista na economia mas mais conservador nos valores. Já Romney federou por completo o partido republicano, deixando de ser o candidato do establishment de Washington para ser um verdadeiro conservador na luta contra um Obama, cada vez mais a fonte de todos os males para este eleitorado.  A energização das bases republicanas vai ser evidente a partir deste momento, bem como a sua capacidade de atracção de financiamento para Romney. Tem como possivel custo eleitoral a perda de eleitores centristas em alguns swing states.
Com este cenário, o jogo está perfeitamente aberto e vamos ter finalmente uma campanha galvanizadora entre dois candidatos que representam duas visões diferentes da sociedade e dois futuros distintos para os EUA.
No meio do furacão político desta última semana, como muito bem refere Alexandre Burmester, as últimas sondagens dão Romney à frente de Obama por 50% contra 43% de prováveis votantes. Parece claro que ainda é muito cedo para estas sondagens terem grande valor, mas se o resultado fosse favorável para Obama com estes valores o que não diria a nossa imprensa e a nossa blogosfera?

Filipe Ferreira

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Uma postura de Respeito

Em mais de 200 anos de existência, Barack Obama é o primeiro Presidente dos EUA a declarar apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Só isto demonstra o virar de capítulo que o actual Chefe de Estado norte-americano imprime nos EUA, que depois de ter considerado vários pontos de vista e diz, hoje, sem qualquer complexo, nada ter contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

A poucos meses das eleições e com uma sociedade completamente dividida nesta matéria, conforme recentes dados da Gallup demonstram (50% a favor e 48% contra), Obama arrisca e evidencia, deste modo, a coragem de não temer tabus nem se enclausurar em receios. Se fosse um candidato com medo e sem crença nas suas propostas resumir-se-ia ao silêncio, mas não o fez, e bem.

Ao tomar este partido, o Presidente e candidato Democrata demonstra estar do lado do respeito por todos os cidadãos. Como candidato progressista que é fez bem e inscreve na agenda pública um assunto polémico, mas que tem mais de polémico pelos preconceitos que são gerados do que pelo Respeito que deve existir pelas opções de cada pessoa.
CMC

Obama e o casamento gay: cronologia



A CNN diponibilizou uma cronologia da posição de barack Obama relativamente à questão do casamento gay. Não pode deixar de se considerar como curioso que os democratas tentem convencer os americanos que se trata de uma evolução, quando uma das narrativas centrais da sua campanha tem sido a de atacar duramente Mitt Romney como "flip flopper" devido às suas mudanças de posição...

Filipe Ferreira

domingo, 6 de maio de 2012

Forward



E este foi o fim de semana que marcou o início formal da campanha Obama para a reeleição. Despindo o fato de presidente, Obama realizou comícios na Virgínia e no Ohio, battleground states, que vão ser essenciais para o resultado final. 
Confesso que estava à espera de uma abordagem diferente da campanha de Obama...
Em vez de se centrar nas realizações da sua presidência, menorizando assim o candidato republicano, Obama e os democratas colocam-no no centro da sua campanha. Mais... o slogan escolhido, "forward", tenta ligar Romney aos anos Bush. É certo que as sondagens ainda não são positivas em relação ao legado da Administração de Bush 43, mas voltar a este "velho" chavão do anti-bushismo...
Romney deve aproveitar esta boleia e importância dada por Obama e capitalizar, fustigando-o pelos seus fracos resultados na economia. A vantagem ainda está do lado de Obama, mas não me parece que esta estratégia seja a mais vantajosa para a sua reeleição.

Filipe Ferreira

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Venham mais cinco


Como era expectável, Romney ganhou as cinco primárias de ontem. A reter, o falhanço total de Gingrich em mobilizar o eleitordo mais conservador e os bons resultados de Ron Paul. O GOP vai ter de falar para o eleitorado libertário, e esta já é uma grande vitória para Paul.

Filipe Ferreira

domingo, 22 de abril de 2012

The Florida connecction


A Florida vai ser um dos estados mais interessantes de seguir nestas eleições. Com um resultado imprevisivel, muitos consideram que a escolha de Romney para VP deveria recair em Rubio, uma das principais estrelas em ascenção do GOP. Entretanto, este já fez saber que o escolhido deveria ser o ex-governador da Florida, Jeb Bush.
Definitivamente a Florida está em alta.

Filipe Ferreira

terça-feira, 10 de abril de 2012

Santorum sai e Romney consagra-se como o candidato Republicano

Rick Santorum Drops Out: GOP Presidential Candidate Suspends 2012 Campaign

Há muito que se esperava o fim das primárias Republicanas. Se a disputa da Flórida tinha sido esclarecedora, como foi nas primárias Republicanas de 2008, quando Giuliani, o favorito, perdeu perante McCain neste Estado do sudeste, desta vez os candidatos com menos força conseguiram levar mais longe as suas pretensões, depois das primárias da Flórida (realizou-se no fim de Janeiro).

Gingrich, primeiro e de forma curta (nas vésperas da eleição na Flórida), Santorum, depois e de modo mais forte, foi o grande adversário do candidato mais forte, em termos de constância de favoritismo, Mitt Romney.

Santorum pára agora a sua corrida, pois o horizonte não lhe apresentava muito mais futuro e um problema de saúde de uma filha do candidato pode ter sido o suficiente para o antigo Senador da Pensilvânia colocar um ponto final numa carreira que, reconheça-se, superou todas as expectativas.

Santorum foi a grande surpresa destas primárias. Pouco se esperava dele, até Janeiro deste ano, quando ganhou a primeira eleição, o caucus do Iowa, ainda que, na noite eleitoral a vitória, por escassa margem tenha sido atribuída a Romney, que deste modo começou a gerar a dinâmica de vitória.

O tempo, até à Convenção Nacional Republicana, em Agosto, é de reagrupação dos Republicanos e esta tarefa de Romney não será fácil. No fundo, o grande denominador comum da união da direita norte-americana é Obama, ou melhor, o anti-obamismo.

O confronto entre os dois grandes campos políticos norte-americanos, Democratas e Republicanos, começa agora.
CMC